terça-feira, 12 de novembro de 2019

Dias, assalto e bandidos

Terça-feira (12/11/2019). É, eu sei, pulei a segunda. Desculpa, como uma amostra do meu arrependimento colocarei a música que estou escutando agora, na segunda linha (Shut up and Let me Go, The  Ting Tings). Perdoado? Obrigado! És muito gentil!

Então, muito, mas muito mesmo para contar, e um assunto para falar, e não, não vou fazer 2 posts para isso. Sábado fui para a casa dos meus pais, dei um presente de aniversário para o meu irmão e outro para o meu pai (uma pantufa para o pai, um jogo de tabuleiro chamado Imagine para o irmão). Conversamos, rimos, jogamos tabuleiro (Imagine, Concept. Ubongo, nessa ordem), fomos para uma hamburgueria chamada Texas Burguer, na Santa Maria, e comemos um ótimo hambúrguer, que estava um tanto caro. Viemos para a casa, descansamos, isso aí. Domingo fomos para a casa da minha sogra, antes de irmos de fato comemos uma feijoada okay em um lugar que não lembro o nome. Quando chegamos lá, sentamos e fomos conversar (enquanto a feijoada fazia uma revolução na minha barriga. Já tentou segurar peido na casa dos outros? E quando são infinitos?). Foi um dia tranquilo, assistimos The Handmaiden (filme coreano excelente, mas com muito, mas muito sexo mesmo!), e conversamos mais. Em casa de novo, eu estava um caco. Não estou acostumado mais a convívio social assim, porque sou um recluso e quando tenho encontros demais em dias seguidos, morro de cansaço (Spotfy está tentando me vender esse tal de Belgrade, Battle Tapes. Vamos ver.). Segunda tirei o dia para descansar, para mim, para jogar, ver besteira. Tive uma discussão pequena com a minha esposa sobre assuntos gerais, conversamos, deu tudo certo. Foi um dia de conversar com ela, tomar resoluções. Decidimos que se formos fazer algo, vamos fazer algo e não enrolar. Tipo, eu acordo tarde pensando "nossa, tá tarde, etc, não vou fazer nada porque tá tudo errado" e a verdade é que eu não faço porque eu não quero. PONTO! Não tem cansaço, dor, nada te para se você não quiser (banda boa, mas não para mim, vamos com a trilha de Burnout Revenge). Se você não fez nada,  é porque quis, e pronto. Melhor que ser arrastado para não fazer nada, como um boneco sem controle da sua vida, é melhor enxergar que você decidiu fazer nada. Primeiro, é uma verdade, segundo, é uma verdade. Então em um dia que você pensa "é, hoje não to muito afim não" é melhor você decidir logo tirar o dia de folga e fazer suas coisas de folga do que ficar "ah, mas é melhor trabalhar né? Ah, mas eu não quero" aí o dia termina, e você não descansou e nem trabalhou.

Agora vamos a hoje e preciso até de uma estrofe só para isso. Acordei me sentindo feio e com a cabeça coçando, fui ao barbeiro e fiz um corte legal, com uma barba legal. Algo mais diferente, arrumado para uma sessão nova de minha vida. Fui pagar umas coisas com a minha esposa, comprei um shampoo anticaspa e anticoceira. Chegando, descobrimos que a casa do meu irmão foi arrombada e roubaram MUITA COISA. Nossa, é uma sensação horrível para mim, que não fui vitima, imagina para eles? Acabaram de se casar, arrumaram a casa, estavam felizes. Infelizmente não é uma cidade segura e não HÁ NADA QUE ME PROVE CONTRÁRIO! Tem muito bandido, muito mesmo. Eu mesmo fui assaltado 3 vezes, e 2 delas agredido e tudo na Santa Maria. Esperaram meu irmão e a mulher dele sair, marcaram seus horários, vigiando dia a dia. Então foram lá e roubaram tudo. Um enorme prejuízo. Enorme. Agora eles querem se mudar, e com muita razão, para um lugar mais seguro. Eu moro em uma cidade mais segura, em uma quadra e setor mais seguro ainda, bem policiado e tals. Porque fiz isso? Porque achei que seria melhor ter uma vida mais tranquila. Mas as pessoas que moram muito tempo em lugares perigosos se tornam engessadas. Eu mesmo era assim. Uma cidade barulhenta, perigosa, feia (tudo culpa do governo desde sempre :D), mas eu não me importava mais. Era assaltado, falava "que chato" e beleza, vida que passa. Agora que moro em lugar seguro, silencioso, mais bonito (e olhe lá, porque nem é essa beleza toda, só é normal mesmo) eu sinto a diferença e como estava engessado. Minha família toda, com exceção da minha irmã que se mudou de lá esse ano, moram lá. A casa dos meus pais já teve tentativa de invasão, e meu irmão viu isso, impedindo a invasão. Um lugar que alguém sempre precisa ficar em casa, pois existe o medo de invasão. Não dá para viver assim. Uma amiga nossa vive em um lugar que tem morte, sequestro, tudo o tempo todo, mas ela não se importa mais, acha exagero quando falamos. Isso é engessar. E como gostar de bandido depois disso tudo? Eu conheci muitos (cresci nessa cidade), eram cruéis, nada pobres e sádicos na maioria das vezes. Não vinham de famílias miseráveis, não mesmo, tinham uma vida bem boa até. Decidiram fazer isso, porque era legal, dava poder. Não tô falando que quero bandido morto, pelamor, não sou um bárbaro. Só quero que sejam punidos na medida em que lesaram, e quando presos, quero que possam estudar, tenham acompanhamento psicológico, cursos, bons cursos, boa alimentação, se sintam humanos que fazem parte de uma sociedade, possam ter um emprego. São humanos, e humanos erram. Com empatia, um significado e futuro, eles vão ter remorso pelo feito. O que ocorre agora não ajuda em nada, prender (ou não prender, né), matar, etc. As pessoas não desejam a morte dos políticos corruptos, que matam muuuuuuiiiiiitto mais que esses bandidos pequenos (roubam dinheiro, esse dinheiro que ia para educação, saúde, segurança, infraestrutura, e como não temos isso, pessoas morrem aos milhões). Quem é pior, o que mata 5 com uma arma ou o que mata 200 mil de fome? De ignorância? Em acidentes? E ainda tem gente que adota político. Um dia eu falo de política aqui, um dia que meu peito estiver bem cheio. Amanhã falarei de genialidade, e como sou um gênio e como isso é bem mais meh e triste do que aparenta. Sobre hoje, pobre do meu irmão, mas tenho certeza de que tudo vai dar certo. As coisas ocorrem por um motivo, e ele descobrirá o porque depois, não isenta da dor, chatice, mas passará.

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