Eu meio que entendi o que se passa comigo. Essa fosse, toda essa podridão e merda que eu estou, causado por mim, tem servido de algo. Não é que eu queria posar de otimista, e eu admito completamente que sou otimista, mas que eu tenho aprendido, ah, eu tenho sim. Hoje o papo aqui vai ser mais sério, eu nem vou colocar o nome das músicas que estou ouvindo, só vou desabafar e refletir um pouco. Espero que olhos invisíveis possam entender.
A grande verdade é que eu me achava muito confiante. Muito forte, capaz de algo. Eu sempre pensei que fosse assim por ter feitos coisas que outras pessoas não conseguiram, como escrever 6 livros grandes (em páginas e não reconhecimento). Soberba. Fui soberbo, fui cego, continuo cego, e a cegueira dói. A medida que eu escrevia, que aprendia, que crescia no aspecto literato, eu adormecia o que precisava crescer, o eu de responsabilidade. Eu sempre pensei que tinha feito essas coisas porque eu era diferenciado, mas isso é uma mentira das maiores, uma que eu contei para mim mesmo e me agarrei como se a minha vida dependesse disso. Não, a verdade é que eu sou um covarde, talvez o maior covarde que existe. Não sou autonomo, não funciono sozinho, não sei fazer as coisas por mim mesmo, sou uma criança idiota e burra de 30 anos. Eu sei, tá depré, muito fossa, mas tem algo para tirar daí, e vão em entender. A grande verdade é que eu fiz tudo que fiz porque fui pressionado a fazer. Não foi por vontade, foi por desespero. Como confiar em um progresso feito com medo? Sem pensar, sem decidir, tudo feito por meio de pavor? Fiz letras por que queria escrever, isso é verdade, mas também porque queria entrar logo em uma faculdade para que ninguém me olhasse torto, ou para não descobrirem que eu não tinha me formado por meio normal, com notas e 1 ano de estudo, e sim por meio de uma prova em outra escola. Não que eu desse muita importância a isso, de verdade. Eu ainda acredito que toda essa pressão em cima de alunos em ensino fundamental e médio para terem sucesso absoluto uma coisa doentia que só faz mal, e ir um pouco contra isso me faz feliz, mas a verdade é que eu estava com medo, e vendi isso como uma ação de coragem. Como sou tolo, falso, fraco... no ensino médio eu comecei a escrever porque estava em meu quarto, triste, desesperado, a pressão de ter um emprego, de ser grande, de ter formação que foi jogada em mim e em meus irmãos de forma impiedosa foi enorme, então comecei a escrever por medo de ser o que eu ouvia, um vagabundo, um inútil, a ovelha negra.
Escrever me aliviou, me tornou uma pessoa melhor, mais feliz. Eu não me sentia fraco, um perdedor, e sim alguém grande, que escreve, um intelectual, alguém acima. Por medo de ser um ninguém, me tornei um ninguém mentiroso. É isso, a minha escrita sempre esteve manchada desses sentimentos, de pressão, de medo de descobrirem que eu sou um nada. Eu trabalhei onde trabalhei porque me falaram para ir para lá, eu escrevi nesses lugares mesmo com faculdade e tudo mais porque eu odiava trabalhar nesses lugares. A escrita não era minha escolha pura, era a minha fuga medrosa de um futuro horrível para mim. Um futuro de bolsos cheios e um vazio pavoroso na alma. Nesse quesito não posso reclamar, posso ter bolsos vazios, mas a alma está cheia, mesmo que grande parte seja dor. Quando eu sai do trabalho (ou fui saído, porque nunca pediria demissão) eu tive finalmente a oportunidade sem pressão alguma de escolher. Eu tive a liberdade. Eu nunca pensei que liberdade pudesse ser algo tão assustador. É horrendo, temeroso, enorme, te envolve e espreme até sobrar nada. Então não é culpa de ninguém o que ocorre comigo, e sim minha e da forma como lido com as coisas. Minha escrita estava suja, porque eu sujei ela. É isso, eu sempre pensei que era confiante e estava em uma corrida enorme e cansativa para recuperar quem eu era, mas a verdade é que eu não posso recuperar o que eu nunca tive. Confiança? Ah tá, que piada de mal gosto. Que confiança é essa que dissolve como um comprimido efervescente em muita água? Eu não escrevo por medo, e só isso mesmo. Eu não tenho confiança, e eu preciso ter.
O lado bom de tudo isso? Está tudo discriminado acima. Eu finalmente entendi onde estou, porque estou, o que devo fazer para deixar de estar. Agora, do zero, vou aprender a escrever novamente e o farei para sentir felicidade e transmitir felicidade, e não mais por medo. Agora eu escolho fazer isso, encarar, mesmo com medo, as coisas a minha frente e lutar com tudo que tenho. Vai doer, vai ser horrível, mas eu preciso aguentar. Não há cruz maior que a força de quem carrega, e eu preciso tirar a minha do chão e levar onde que que ela deva estar. Do zero, de novo, mas do jeito certo agora.
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