quarta-feira, 30 de outubro de 2019

As estrelas ainda estão lá

    Olá, meu blog secreto! Como amanheci hoje? Como estou? Se estou bem? De forma rápida, Mal, bem, bem. Agora, nesse exato momento estou escutando a trilha sonora de Bastion (nossa, queria muito saber tocar violão dessa maneira... na verdade, queria saber tocar algum instrumento, nem que seja um otomatone). O dia está nublado, o que é perfeito, mas está quente, o que é horrível, e isso me fez amanhecer com uma enxaqueca que não está necessariamente doendo a minha cabeça, mas que me deixa enjoado, fotossensível, indisposto, etc. Não dormi direito, estou com olheiras enormes, acordei tarde de novo, o que é uma bosta, mas ainda assim, me sinto bem. A grande questão é, porque me sinto bem se foi uma completa merda a minha manhã? A resposta é bem simples, acordei com vontade de escrever, de inventar, e meu coração está até mais leve por causa disso, de forma a todas essas chatices iniciais se tornarem pequenas.
    Será que foi o iniciar deste blog que me fez mais determinado? Se for, foi a melhor ideia que tive em décadas, pois, sinceramente, ir ao psicólogo não foi lá muito bom (era um péssimo profissional, e isso não é culpa da psicologia), mas seja como for, não falarei disso hoje, ou se falarei, será mais a frente, com toda certeza. 
     Então, vamos falar de ontem a noite? Ontem eu iniciei esse blog, fiz minha primeira postagem, me senti melhor ao escrevê-la, e fui correndo para o jogo do Brasil x Nova Zelândia sub 17. Foi legalzinho, mas como eu havia dito, não gosto de futebol, só da companhia das pessoas que me são importantes. Meu irmão e pai estavam muito felizes, isso me fez ficar muito feliz também. Ao chegar em casa eu vi que minha esposa ainda estava trabalhando. Ela queria ter limpado a casa antes de eu ter chegado para me fazer uma surpresa, o que eu achei super fofo da parte dela (eu fiz isso para ela algumas vezes, foi legal ver ela se sentir aliviada). Coitada, estava se sentindo culpada de não ter feito, pois estava lotada de clientes e desenhando sem parar. Eu queria ajudar mais a minha esposa, eu ajudei durante muitos anos, investi tudo que eu tinha para ela chegar onde está, mas agora, mais de um ano depois de sair do trabalho como professor, não faço nada além de jogar, ver youtube, comer e dormir (opa, chuva, é hora de fechar as janelas. Pronto, agora está tudo bem mais escuro). Esses hábitos estão me fazendo um mal horrível, e a depressão só aumenta. Ah, eu assisti pornografia ontem, e me senti um lixo de ser humano, como sempre. Eu quero tanto parar de fazer isso... na verdade de fazer tudo isso. Tomara que escrever aqui me ajude. 
     Bom, para continuar a noite (cara, que música foda "Percy's Escape") eu tenho que falar de uma maldição que eu possuo. Uma não, inúmeras, mas para explicar as maldições, preciso falar da minha benção, do que me faz único. Felizmente eu tenho consciência do que me faz único, que é a capacidade de ter ideias a todo momento, como uma torrente sem controle que explode em ideias descontroladamente, ideias pra jogos, livros. etc. Isso certamente é uma benção, se você aspira a querer ser escritor, mas nenhuma benção vem sem uma maldição. Se eu não escrever, cansar minha mente usando essas coisas, não consigo dormir. O cérebro parece não querer desligar. e fica pensando, pensando, pensando, imaginando, tendo ideias, um monte ao mesmo tempo, até eu levantar, escrever algumas e tentar dormir novamente. Nessa noite, por exemplo, eu tive a ideia de 2 card games, e ao amanhecer, ainda deitado, tive ideia de mais um. Isso é bom? Certamente! Isso é ruim, com certeza também. Preciso saber lidar com isso, pois de fato não me importo se durmo tarde ou não, desde que eu consiga fazer as coisas que quero fazer, isso não importa. 
     Acho que hoje eu não falarei sobre os meus vícios, mas queria falar sobre como me sinto sendo sustentado. Eu realmente não ligo para essa coisa de homem tem que trabalhar e sustentar, blá, blá, blá... não sou um neandertal pra ficar preso a conceitos tão antigos e certamente não certos. Eu acho incrível a minha esposa ter todo esse negócio de vender desenhos e ainda conseguir fazer nós dois vivermos bem disso. Eu percebo que ela de vez em quando se incomoda com o meu estagnar, mas não da forma que a maioria das pessoas pensa. Ela vê potencial em mim, muito, assim como vejo nela um mar de potencial, e isso deixa ela frustrada, pois quer me ajudar e me vê parado, falhando. Coitada, isso não é culpa dela, nem um porcento. Eu preciso levantar e fazer algo sobre isso. Me sinto humilhado porque quero mudar de vida, ter algo melhor para mim e para ela, quero uma vida onde consigamos fazer muitas coisas juntos, e sermos felizes com isso, quero ajudar as pessoas com tudo que eu tenho, e não conseguir sequer tentar me frustra. Mas o dia brilha todas as manhãs, não é mesmo? 
     Para finalizar, eu percebi algo no jogo de futebol. As luzes do estádio eram tão fortes que eu não conseguia ver as estrelas. Nem mesmo uma. O céu estava limpo, totalmente propício para ver um mar de estrelas, mas ainda assim eu não via nenhuma. Um dia eu pensei ser o holofote, tão forte, tão brilhante que impedia os outros de verem as estrelas. Agora eu me sinto no meio de várias luzes poderosas que me deixam cego para o céu. Eu era um orgulho completo, a prova de falhas, e agora sou a depressão que enxerga luz em tudo, porque estou lá em baixo, sem esperanças alguma. O que me conforta é saber que, mesmo sem enxergar, as estrelas ainda estão lá.

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